Escolher a felicidade

Quando eu era pequena, queria ser bailarina, cozinheira, veterinária e muitas outras coisas consoante as épocas e as brincadeiras que ia tendo. Lembro-me com carinho das tardes passadas com o meu pai a fazer barro, de quando o meu avô me ensinou a jogar damas (e eu misteriosamente ganhar sempre…), de ouvir música na rua e dançar como se ninguém estivesse a ver, de fazer o meu primeiro bolo (com uma forma que era um cordeiro) em cima de um banquinho na cozinha. Quando somos pequenos sentimos tudo tão intensamente e o tempo passa ignorando as leis da física, com dias que parecem meses e anos que duram para sempre.

Lembro-me de entrar na adolescência, sempre romântica e pensar, tal como muitas meninas, que iria ter um emprego normal, estar casada e ser mãe aos 25! Quando a verdade é que aos 25 anos estava a começar o meu doutoramento e bem longe dessa realidade.

Agora estou a entrar nos 30 e sonho em um dia ter um santuário animal, a minha própria horta, ensinar yoga e continuar pacificamente a fazer a minha investigação. Nós mudamos e os nossos sonhos mudam connosco. E, na verdade, o que sonhamos mesmo é em ser felizes, estando essa felicidade dependente do que gostamos ou desejamos em dada altura. No fundo, a felicidade vem de nós próprios. Podemos mudar, ter outros interesses, conhecer pessoas e experienciar coisas diferentes, mas podemos sempre escolher a felicidade independentemente das circunstâncias.

Isso não significa que não fiquemos tristes, zangados, frustrados e desapontados. Somos apenas humanos! Mas podemos sentir-nos tristes e continuar a ser pessoas felizes. Em português temos duas palavras distintas “ser” e “estar”, ao contrário do “I am” em inglês, ou seja, podemos facilmente dizer que nos sentimos/estamos tristes/zangados, mas não que o somos. Ao dizermos que “estamos” tristes, tornamos isso em algo temporário, independentemente da duração desse sentimento. É importante permitirmo-nos sentir o que vier ao nosso encontro – bom ou mau, mas fazer sempre um esforço para estarmos enraizados na felicidade e na vida.

Ao definirmo-nos como pessoas felizes e ao dar importância à prática da gratidão, torna-se cada vez mais difícil sentirmo-nos e ficarmos tristes/frustrados/zangados. Começamos a ver o mundo e a nós próprios com outros olhos. Encontramos um novo respeito e amor por nós e pela vida e começamos a ser mais gentis connosco e com os outros. Imaginem que toda a gente começava a fazer este exercício: Escolher a felicidade e a gratidão, em vez de ficar zangado com algo/alguém durante longos períodos de tempo. Quantas vezes não deixamos de dar um beijo de boa noite ou enviar uma mensagem amiga a algém que gostamos, de mostrar carinho, só porque essa pessoa nos ofendeu. Ou não tentar uma oportunidade porque a anterior teve um resultado negativo?

Tentemos colocar-nos no lugar das pessoas à nossa volta e lembrar-nos que, talvez, esse indivíduo que está a ter uma condução péssima teve um dia igualmente péssimo no trabalho, está cansado, ou acabou de receber uma má notícia…

Sim, vamos continuar a ter coisas que nos irritam, nos entristecem e fazem desanimar. Vamos continuar a encontrar gente que nos fala com rudeza ou que não mostra boa-educação, mas a única coisa que devemos fazer é tentar fazer uma pequena diferença por nós-próprios e, talvez, aquele indivíduo que estava a ter um dia péssimo e que ia para casa ter uma discussão, veja o nosso sorriso e delicadeza e se sinta muito mais leve, vá para casa e dê um abraço à sua família.

 

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