Esses ingredientes estranhos – os básicos de uma cozinha vegana

Há algumas semanas atrás, fui convidada para um jantar de amigas/despedida de solteira e, como costume para as festas onde sou convidada, ofereci-me para preparar um prato para levar. Assim os anfitriões não teriam que estar com a preocupação extra de preparar um prato de propósito para mim. A festa estava repleta de pratos e várias pessoas levaram sobremesas/entradas e, das pessoas que provaram o meu prato (fiz questão de levar uma quantidade razoável) todas gostaram e ficaram curiosas acerca dele. Tinha decidido levar algo simples e que fosse agradar à maioria, pelo que fiz uma massa simples com vegetais assados. Nada demasiado estranho e que fosse desencorajar as pessoas com o seu aspecto peculiar.

Este post é para os amigos e conhecidos que ficam curiosos com a minha comida e maneira de cozinhar, perguntando frequentemente: Que ingredientes estranhos são esses que acabaste de dizer? É que, na verdade, eu usei miso para preparar um molho para a dita massa e, apesar de para muitos de vocês isto ser perfeitamente familiar, para outros tantos não o é, como me tenho vindo a aperceber. Quando somos fãs de culinária, somos vegans/vegatarianos ou vivemos numa área urbana repleta de influências de todo o mundo, é fácil e normal termos contacto com uma multiplicidade de ingredientes. Quando não é o caso, simplesmente é natural que usemos os ingredientes com que crescemos e que encontramos no supermercado/minimercado perto de nós.

Portanto, esta é uma curta lista de alguns desses ingredientes que uso frequentemente na minha cozinha, sobretudo desde que mudei para a minha alimentação à base de plantas:

  1. Miso – Normalmente uso miso claro, que é mais suave, apesar de estar curiosa por experimentar miso de cevada ou de arroz. Miso é uma pasta feita a partir de feijões de soja fermentados e dá um sabor maravilhoso a sopas, estufados, salteados, etc. Por exemplo, como tem um sabor mais para o salgado, fica muito bem em pratos que levam abóbora. Também gosto de o usar para preparar molhos, diluído em água, caldo de legumes ou creme vegetal (natas de soja, arroz, etc.) e misturado com ervas ou especiarias (como o gengibre). É um ingrediente muito versátil e gosto verdadeiramente de o usar, sobretudo porque não coloco sal nos pratos que preparo com miso.
  2. Levedura Nutricional – Este ingrediente é algo frequente em qualquer cozinha vegan/vegetariana e não deve ser confundido com levedura de cerveja, que tem um sabor diferente. Eu uso a levedura da Engevita e estou bastante satisfeita, mas obviamente há outras marcas (vi à venda na Fair Fair Vegan Shop, mas ainda não provei).  Estes flocos são conhecidos por ajudarem a dar um sabor a “queijo” à comida mas, para mim, assemelha-se também a nozes. Fica muito bem misturado com cajus ou corações de cânhamo (em qualquer das opções basta pulsar para fazer um pó) e usado como “parmesão vegan” em pó, para polvilhar massas, por exemplo. Também é bom misturado com natas vegetais ou creme de cajus para fazer um molho de “queijo”. Ou simplesmente polvilha-se por cima da comida… as possibilidades são imensas!
  3. Kala Namak (Sal preto dos himalaias) – Apesar de isto soar muito chique, na verdade trata-se de um sal em pó, cor de rosa, que cheira a enxofre (???). Utiliza-se para dar um sabor “a ovo” aos pratos e, apesar de parecer estranho para nós, é bastante usado na culinária Indiana. Gosto de o adicionar a tofu mexido ou (novamente) a alguns molhos.
  4. Tempeh – Hoje em dia já é comum encontrar tempeh em algumas lojas biológicas, mas ainda é algo que leva a alguns olhares estranhos sempre que o refiro. Basicamente é feito através de um processo controlado de fermentação que une os feijões de soja inteiros. Esta fermentação é o que dá um aspecto branco aveludado no exterior e entre os grãos de soja. É extremamente saudável por conter probióticos e uma percentagem elevada de proteína. É também possível fazê-lo em casa, apesar de eu nunca ter tentado (requer um kit de iniciação para a fermentação). Gosto de o cozinhar simples, cortando às fatias ou cubos e grelhando ou salteando, mas também é bom desfeito entre as mãos e adicionado a uma bolonhesa vegan, ou algum prato que tradicionalmente leve carne picada. O sabor é diferente e mais intenso que o tofu (que verdadeiramente não tem sabor específico) mas, se não se apreciar o sabor para o comer simples, basta temperar ao nosso gosto.
  5. Farinha de grão – Literalmente é grão seco em pó. Eu sei que não é muito exótico, mas é algo que uso com bastante frequência e não é algo que seja muito conhecido no meu meio. Gosto de a usar para fazer omeletes, tartes, quiches, etc. Basta diluir em água ou caldo de legumes e temperar com Kala Namak e curcuma (Mais tarde postarei algumas receitas com esta base). Tem bastante proteína e dá para temperar como quisermos, com ervas e especiarias. É um excelente ingrediente (naturalmente sem-glúten) que dá para substituir farinha normal em muitos pratos salgados. Também é fácil de fazer em casa se se tiver um bom processador de cozinha – basta pulsar os grãos secos até fazer um pó.

Chickpea Flour in a bowl

 

Há outros ingredientes que aprecio e uso frequentemente, mas esses ficam para depois. Para já, espero que gostem desta lista e que, se não conhecem estes produtos, que tenham ficado com curiosidade de experimentar!

E possível encontrar estes ingredientes online (eu costumo usar o site da Amazon.co.uk), nas lojas Celeiro, na loja Ayur (localizada em Lisboa mas vende online) ou em mercados asiáticos / indianos.

Aviso Legal: Todas as opiniões expressas neste texto são da minha autoria e não foi resultado de nenhum patrocínio ou incentivo de nenhuma marca ou empresa.

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