Vegano, Vegetariano ou à Base de Plantas?

No outro dia estava com o meu pai e ele começou a falar do quanto tinha gostado de ir experimentar comida vegana em Lisboa, no mês passado. Tínhamos uma visita planeada à capital e enquanto debatíamos o sítio onde havíamos de ir almoçar, sugeri (inocentemente!) que gostava muito do Ao 26 Vegan Food Project.

Foi uma óptima decisão e o toda e gente adorou! Aliás, ainda agora, semanas depois, o meu pai continua a gabar a comida que, segundo ele “sabia bem e tinha um excelente aspecto, com as cores todas dos legumes”. Reconheço isto como um grande feito, sendo o meu pai um pouco peculiar quanto a restaurantes ou comida em geral. Se dependesse dele, vivia apenas de sandes de atum e alface iceberg (por causa de ser estaladiça, segundo explica!)

À conta desta experiência gastronómica, acabámos à conversa acerca das diferenças entre vegano, vegetariano, à base de plantas, sem crueldade, e outros tantos conceitos. Assim, e porque já não é a primeira vez que pessoas amigas me colocam estas questões, vou tentar esclarecer estes termos.

Em termos de hábitos alimentares, aqueles usualmente referidos como sendo vegetarianos, são pessoas que não consomem carne ou peixe, mas que eventualmente podem incluir lacticínios, ovos e mel na sua dieta. Podem ainda ser referidos como ovo-lacto, ou só ovo ou lacto vegetarianos, caso incluam ou ovos, ou lacticínios, ou ambas as coisas. Isto porque dizer vegetariano, também pode ser referente a 100% vegetariano o que na verdade, em termos de alimentação, é veganismo. Desde o aparecimento do termo vegan, cerca dos anos 40, este é usado para referir aqueles que não consomem qualquer produto de origem animal ou derivado de animais, tais como os lacticínios, ovos, gelatina, mel, etc. Alguém cuja dieta é à base de plantas, é auto-explicativo, no sentido em que se baseia em plantas (frutas, vegetais, leguminosas, etc) e, sobretudo, ingredientes puros e integrais, quando possível, em vez de refinados.

Agora, a parte que algumas vezes confunde é: Uma dieta vegana pode ser à base de plantas, no sentido de escolher alimentos puros, não processados e integrais, ou não. Ou por exemplo, há vegans que consomem mel. A questão é, com qualquer dieta pela qual se opte, é possível escolher alimentos processados ou não, e assim também acontece com a alimentação vegan. Podemos ser vegans e viver à base de oreos, batatas fritas e substitutos de carne (que por vezes sabem bem, mas não serão a melhor opção para todos os dias, nutricional ou economicamente!). Do mesmo modo uma pessoa pode seguir uma dieta à base de plantas mas não usar produtos vegans. Por outro lado, se pensarmos nestes outros produtos, estes podem ser 100% naturais e até “cruelty free” (sem ser testados em animais) e não serem vegans.

Então, como compreender isto? Apesar de tudo, o veganismo é, mais do que uma dieta, um estilo de vida. Significa escolher e consumir produtos que não tenham componentes animais e que não foram testados em animais. Tal como referi, um produto pode ser “cruelty-free” e natural e, mesmo assim, conter produtos animais tal como a carmim – ingrediente típico nos batons vermelhos! [Caso queiram ler mais acerca dos ingredientes animais encontrados nos cosméticos, podem encontrar mais informação, em português aqui e em inglês aqui e aqui]. Também conheço vegans que usam produtos que contêm cera de abelha ou lã de alpaca ou ovelha, considerando que sejam produtos oriundos de comércio sustentável e de produção biológica certificada.

A questão é que, muitas vezes, não é simples determinar a fronteira entre estes conceitos. Tal como referi anteriormente, devemos acima de tudo tentar o nosso melhor para respeitar os outros ao mesmo tempo que somos verdadeiros com as nossas convicções, com os animais e com a Natureza. Por exemplo, a Nectar & Bumble é uma pequena empresa britânica dedicada à protecção, divulgação e compreensão da importância das abelhas, no entanto, vende na sua loja, bálsamos que contêm cera de abelha e que são certificados como vegan pela PETA. Também a Body Shop, que sempre foi contra os testes em animais, tem diversos produtos que contêm mel ou cera de abelhas. Pessoalmente, mesmo evitando consumir mel, gosto de ambas as marcas e apoio o seu trabalho e convicções.

Então, como escolher? Na minha opinião, tanto na alimentação como na escolha de produtos para usarmos, quanto mais natural, sustentável e simples, melhor. Ninguém é perfeito, mas podemos aos poucos fazer o esforço de nos nutrirmos com verduras, frutas, leguminosas, cereais integrais (com o ocasional e necessário bolo ou batatas fritas!) e escolher menos mas melhores produtos naturais para nós e para a nossa família. Procurem pelo logótipo do “leaping bunny” (o coelhinho a saltar), que atesta que aquele produto não foi testado em animais e o logótipo de Certified Vegan, para assegurar que não há ingredientes de origem animal. Escolham com cuidado e consciência, leiam rótulos, procurem respostas nas Perguntas Frequentes das marcas e nos sites, coloquem questões às marcas. Quanto mais procurarmos e soubermos sobre os ingredientes que consumimos e usamos, mais conscientes ficamos acerca da quantidade de ingredientes de nomes impronunciáveis que há por aí (e é tudo absorvido pelo nosso corpo!). Optemos por escolher com bondade, cuidado e fazendo um compromisso de qualidade para connosco, para com os animais e o ambiente.

 

Aviso Legal: Todas as opiniões expressas neste texto são da minha autoria e não foi resultado de nenhum patrocínio ou incentivo de nenhuma marca ou empresa.

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